Feliz aniversário Brasília, 50 aninhos!
"O cimento domina a paisagem plana da cidade. Formas repetitivas se impõem à visão na luz intensa, na secura do ar. Aqui, o olhar pode extraviar-se entre a monotonia geométrica dos blocos, alienar-se na regular altura dos padrões e gabaritos, ou escapar para repouso no verde dos gramados. Nos prédios de cores frias, na entediante insistência de formas, surgem, no entando, aqui e ali, as cores de Athos Bulcão. E o olhar pode, então, deixar-se capturar numa área rstrita. Que energia semântica anima sua obra? Isso é algo que precisa ser descoberto por cada um. A obra desse artista não se declara. Exposta, não se expõe.
A arte de Athos Bulcão é, ao mesmo tempo, o que há de mais exposto e de mais secreto no cenário de Brasília. Está em toda parte e pode não ser vista. Não salta à vista, não se impõe, não se exibe ao passante. Que ele siga indiferente ou distraído. O texto visual de Athos pontua a cidade e, assim mesmo, pode escapar ao nosso olhar cotidiano, ter a presença banalizada, dar a falsa impressão de excessiva familiaridade. Sem a intencionalidade do olhar, as possibilidades de leitura de suas composições se dispersam e enfraquecem. O habitante apressado passa despercebido pelos detalhes de seus murais, desatento à minuciosa desordem deles."
A arte de Athos Bulcão é, ao mesmo tempo, o que há de mais exposto e de mais secreto no cenário de Brasília. Está em toda parte e pode não ser vista. Não salta à vista, não se impõe, não se exibe ao passante. Que ele siga indiferente ou distraído. O texto visual de Athos pontua a cidade e, assim mesmo, pode escapar ao nosso olhar cotidiano, ter a presença banalizada, dar a falsa impressão de excessiva familiaridade. Sem a intencionalidade do olhar, as possibilidades de leitura de suas composições se dispersam e enfraquecem. O habitante apressado passa despercebido pelos detalhes de seus murais, desatento à minuciosa desordem deles."
Ligia Cademartori
* texto do livro "Os Criadores"
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